Para os mais velhos, uma queda pode parecer um evento isolado, mas, às vezes, é um sinal de que algo no corpo ou na rotina está mudando. O doutor Yuri Silva Portela, que possui uma pós-graduação em geriatria, ressalta que essas quedas merecem atenção especial, pois podem indicar alterações no equilíbrio, na força muscular, na visão, no uso de medicamentos ou outras condições que aumentem a fragilidade. Assim, ao invés de apenas relacionar a queda com a idade, é fundamental entender o que ocorreu e verificar se há outros sintomas presentes.
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Por que uma queda não deve ser normalizada? Confira com o Doutor Yuri Silva Portela
O envelhecimento pode provocar mudanças na força, no equilíbrio e na velocidade dos reflexos, mas isso não significa que cair seja uma consequência inevitável da idade. Uma queda pode acontecer por um obstáculo no caminho ou por uma situação ocasional, porém episódios repetidos precisam ser avaliados com mais cuidado. A frequência, o local e as circunstâncias ajudam a compreender se existe algum fator de risco que pode ser modificado.
O Doutor Yuri Silva Portela observa que também é importante observar o que aconteceu imediatamente antes do acidente. Tontura, sensação de fraqueza, alteração visual ou dificuldade repentina para caminhar podem fornecer pistas importantes. Quando a queda é acompanhada por sintomas novos, procurar avaliação profissional pode ajudar a identificar a causa e evitar que o problema volte a acontecer.
O que o equilíbrio pode revelar sobre a saúde?
O equilíbrio depende da integração entre visão, sistema nervoso, força muscular e percepção do próprio corpo. Uma alteração em qualquer um desses componentes pode dificultar a estabilidade. Problemas de visão, por exemplo, podem fazer com que obstáculos sejam percebidos tarde demais. Já a redução de força nas pernas pode tornar mais difícil recuperar o equilíbrio diante de um tropeço.

O Doutor Yuri Silva Portela aponta que a mobilidade também precisa ser observada dentro da rotina. Dificuldade para levantar de uma cadeira, subir escadas ou caminhar em superfícies irregulares pode indicar uma perda funcional que merece atenção. Identificar essas mudanças cedo permite pensar em estratégias para fortalecer a musculatura, adaptar atividades e tornar os deslocamentos mais seguros.
Medicamentos também podem estar envolvidos?
Alguns medicamentos podem provocar efeitos como tontura, sonolência ou queda da pressão, aumentando o risco de desequilíbrio. Isso não significa que o paciente deva interromper o uso por conta própria. Ao contrário, uma queda pode ser um motivo para conversar com o profissional responsável sobre todos os medicamentos utilizados, inclusive aqueles tomados eventualmente.
A revisão é especialmente relevante quando houve início de um novo medicamento, alteração de dose ou combinação de diferentes tratamentos. Conhecer o conjunto da prescrição permite avaliar se determinados efeitos podem estar contribuindo para o risco. Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, essa análise precisa considerar as condições de saúde e as necessidades individuais, já que a mesma medicação pode produzir efeitos diferentes em pessoas distintas.
Como o ambiente pode contribuir para uma queda?
Nem toda queda começa no organismo. Tapetes soltos, fios espalhados, iluminação insuficiente, objetos fora do lugar e ausência de apoio em determinadas áreas da casa podem aumentar o risco. O banheiro merece atenção especial por reunir água, superfícies escorregadias e movimentos que exigem equilíbrio.
Por isso, o Doutor Yuri Silva Portela considera importante observar o ambiente junto com as condições de saúde. A adaptação da residência pode envolver medidas simples, como melhorar a iluminação, retirar obstáculos dos locais de passagem e organizar objetos para que não seja necessário subir em bancos ou cadeiras. Essas mudanças ajudam a reduzir riscos sem limitar desnecessariamente a circulação do idoso.