A meta estabelecida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010 com amplo apoio técnico e político, era de que o Brasil encerrasse todos os seus lixões até 2014. Conforme analisa Marcello José Abbud, especialista em soluções ambientais e diretor da Ecodust Ambiental, mais de uma década após o prazo, o país ainda convive com centenas de disposições irregulares ativas. Para o especialista, esse passivo ambiental contamina solo, água e ar, afetando diretamente regiões que concentram populações entre as mais vulneráveis do país como consequência dessa omissão histórica.
A persistência dos lixões não é um problema de falta de conhecimento técnico sobre suas consequências. Os efeitos da disposição irregular, incluindo contaminação de lençóis freáticos, emissão de metano e proliferação de vetores de doenças, são amplamente documentados. O problema é estrutural: municípios pequenos, sem capacidade técnica nem financeira para estruturar alternativas, continuam recorrendo à disposição irregular por falta de opções viáveis dentro de seu orçamento.
O custo real de manter um lixão ativo
Um equívoco frequente na gestão municipal é tratar o lixão como a solução mais barata para o problema do lixo. A conta que raramente é feita inclui os custos de saúde pública gerados pela contaminação, a desvalorização de propriedades no entorno, os passivos ambientais que precisarão ser remediados no futuro e as multas regulatórias que se acumulam com o tempo. Quando todos esses custos são contabilizados, o lixão se revela invariavelmente mais caro do que as alternativas de destinação adequada.
No entendimento de Marcello José Abbud, a dificuldade está no timing: os custos de manter o lixão são diferidos e distribuídos por outros setores, enquanto os custos de implantar uma alternativa são imediatos e concentrados no orçamento de limpeza urbana. Dessa forma, essa assimetria é um dos principais obstáculos à tomada de decisão por gestores municipais com restrições orçamentárias severas.

Tecnologias de encerramento e remediação
O encerramento de um lixão não consiste simplesmente em parar de depositar resíduos no local. Isso porque ele envolve impermeabilização da base, instalação de sistemas de drenagem de chorume, captação de biogás, cobertura vegetal e monitoramento de longo prazo da qualidade do solo e das águas subterrâneas. Cada etapa exige tecnologia específica e profissionais capacitados, o que é justamente o tipo de expertise que empresas como a Ecodust Ambiental, dirigida por Marcello José Abbud, têm desenvolvido ao longo dos anos.
Há também casos em que lixões encerrados podem ser objeto de projetos de valorização, com a captura do biogás gerado pela decomposição histórica para geração de energia ou a transformação da área em uso público após remediação adequada. Essas possibilidades transformam o passivo em ativo, mas exigem planejamento técnico cuidadoso e recursos que nem sempre estão disponíveis nos municípios mais afetados.
O que precisa mudar para que os lixões finalmente acabem?
A eliminação definitiva dos lixões no Brasil exige financiamento federal consistente, apoio técnico a municípios pequenos, regulação que penalize efetivamente a disposição irregular e incentivos para formação de consórcios regionais. Nenhum desses elementos isoladamente é suficiente. É a combinação deles, aplicada com continuidade ao longo de pelo menos uma década, que pode transformar o mapa dos resíduos sólidos no Brasil.
Marcello José Abbud e a equipe da Ecodust Ambiental têm acompanhado e contribuído para iniciativas que apontam nessa direção, desenvolvendo soluções adaptadas às realidades específicas de cada município e arranjo regional. O caminho existe. O que ainda falta é a decisão coletiva de percorrê-lo sem mais adiamentos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez